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O EU E O OUTRO

Por: Ivana Andrés


Eu sou eu só para mim,

Minha subjetividade, meu ego.

O sujeito, a consciência de si,

É a minha consciência,

A consciência de mim.

Devo então cuidar de mim,

Cultivar minha subjetividade,

Pois vivo numa era em que, o eu

Se confunde com o humano,

E é até chamado de humanidade.


Estou muito próximo de mim

E bem distante do outro.

Não posso ter consciência do outro.

Quem tem consciência dele é ele.

Ele então, deve cuidar de si.

Quando muito, eu vejo o meu grupo

Minha família, minha raiz,

Minha tribo, meu estado, meu país.

E se a isto chamam discriminação,

Não posso deixar de lhes dar razão.


Nesta vida despreocupada que levamos

Quando sendo ego, nela não pensamos,

Um dia, sem pedir licença chega o outro.

Travestido de um vírus, parecendo um louco,

Fazendo perguntas sem nenhum receio

De dizer quem era ou de onde veio.

Perguntas, ao léu, para mim sem sentido.

Perguntas que ele diz trazer consigo,

Questões para mim sem o mínimo uso,

Mas que me tiraram o sono e que aqui reproduzo:


As coisas são como elas são, me disse esse outro.

Não têm merecimento, sentido de vida,

Não têm retorno, nem entrada ou saída.

Na vida não existem certos nem errados .

E se nela penduramos significados,

Se você se julga especial, um ser social,

Superior ou melhor que o outro,

Predestinado a ser enfim alguém,

A vida está aí para lhe dizer,

Que você não é diferente de ninguém.


E para os outros 7 bilhões de pessoas

Que vivem neste mundo, você é o outro?

Porque você, e não o outro, determina funções?

Não se pode inverter essas posições?

Quem a partir de agora fará tais definições?

O que eu ficaria devendo ao outro, quais ações,

Se eu dele dependesse e não ele de mim?

E se ele sempre fosse como eu, cheio de razões?

Se ele pudesse ter e não eu, o poder da voz?

Me diga enfim, o que é para você, a palavra nós?

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