• Observatorio Social da Covid-19

Devolva a terra e tudo se encerra

Eni Carajá Filho, Junho de 2020.



No entrelace das penas que formam um lindo cocar há muito significado conforme cada grupo indígena que apontam as ondas ponto a ponto a chegar.


O jeito artesanal que mede essa confecção traz consigo o traçado hierárquico do funcionamento daquela nação.


Penas pequenas e alinhadas uma a uma em sequência, que são intercaladas em cores as penas grandes significando reverência.


Referenciam lideranças, mulheres indígenas, caciques, Pajés nossos anciãos e até crianças pois reproduzem imaginariamente forma e estilo apontando sinais de perseverança.


Essa forma e esse estilo cada povo faz com sua história e sua essência, e juntando aos maracás, tambores, os chocalhos e colares é que definem segredos da resistência.


Ao resistir nesse cenário de invisibilidade e perseguição, o povo indígena vem demonstrando prioridade pela plena demarcação.


Demarcar campo, lutar por terra é o sinal de sobrevivência ao povo indígena tão vil marcado, mas possuem força e resiliência.


Juntando todos os Cocares, nesta aldeia mundo global, não há indígena que resista essa espiritualidade em evocar força ancestral.


Pois cada risco do traçado em sua grafia nesses maracás a espelhar, já orienta aos grupos étnicos necessidade de lutar.


Sim é muita luta, no mundo humano e virtual e ainda temos a frente um vírus no meio da relação, Corona vírus muito letal.


Letal que nos obriga mudar estilo e viver em isolamento social, sim recolhido casa, aldeia nos precavendo com álcool em gel, usando mascara evitando ao outro contrair esse vírus do mal.


Em nossos lares, mas vigilantes, desmatadores, que rondam aqui, estimulados por um certo presidente, meio ambiente quer destruir.

Mineradoras, garimpeiros que de ganância quer extrair, nossas riquezas que protegem e respondemos fincar os pés por aqui.


Originários, remanescentes, primeiros povo a habitar, mudar a história que e mal contada em nossa escola que precisamos resgatar.


Dizer verdades não aceitando imposição marco temporal, não contentamos com reservas, retomadas e coisa e tal, pois queremos devolução do nosso viver do modo original.


Essa originalidade que exigimos por retorno significa a retirada daqueles, pois os não posso pois nos usurparam, e queremos apenas o que é nosso..


Grileiros, fazendeiros, branco dilacerador, povo traficante, e ainda apoiado por certas autoridades que além de determinar auto declaração emite parecer aniquilante.


Promoveu genocídio, glotocidio apoiando o agronegócio e tudo mais, e ainda nesse tempo ressurgiram com os generais.


Estaremos preparados em força e em fé na espiritualidade, enfrentando Corona vírus e apontando significado do bem viver em comunidade.


Somos grupos em vários troncos linguísticos de riqueza sem igual e que se unem pelos direitos, denunciando o racismo e o aprofundamento do preconceito.


Provocarei no bom sentido defendendo direito humano, não dá para permitir na atualidade, o afronta ao indígena na aldeia e também no contexto urbano.


Extensão de políticas públicas desenvolvida com recursos dos nossos impostos recolhidos tirando da invisibilidade plenitude e reservando direitos e diferenciando os que nos foi subtraído.


O peso da nossa borduna extraída do natural, será nossa base de apoio vespertino e também matinal, sol e lua se encontra a nosso favor povo fino.


Não deixaremos homem branco, sujeito usurpador, derrubar nenhuma arvore, nos afrontar ou retirar nosso valor.


Assim encerrando minha prosa poética e direta, evocando a Tupã que fortaleça nossa luta para que nossa vitória seja completa referencia Aruanã.


Desta forma mostraremos que ninguém quer guerra e sim paz, receber o que é nosso e demarcar nosso território, nossa terra e assim o papo se encerra de forma firme e contumaz.



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