• Observatorio Social da Covid-19

A seringa solitária e a política

Atualizado: Fev 5

Diálogos e rodas de conversa de domingo.


Eni Carajá Filho – Mestre em Cultura Popular de Belo Horizonte Graduando em Antropologia Social - UFMG


Atravessando ao outro lado da avenida, encontrei com uma seringa solitária, ela se animou a me ver e foi logo me dizendo assim: A que bom que você apareceu, precisava muito de um diálogo contigo.

Logo eu que já sou meio ressabiado topei a conversa e ela me pediu para gravar, perguntei para que vai ser utilizada uma gravação de uma simples conversa, e ela rapidamente respondeu dizendo que seria para encaminhar para a Doutora Jurema Werneck na Anistia Internacional, na Comissão de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas, pois ela teria certeza que o resultado de um diálogo como esse renderia muita discussão e serviria de exemplo para variadas pessoas, algumas delas céticas, negacionistas, e sobretudo que já tem costumes de burlar a legislação, a ética e dos mais elementares princípios de Direitos Humanos.

Só de ter autorizado a seringa ficou toda serelepe, e assim partimos para a conversa, ali onde eu estava não tinha local de sentar e assim deslocamos até a mureta da casa de Dona Margarida, lá estava calmo, propício e a mureta ficava debaixo de um frondoso pé de umbu que tinha uns galhos extensos e cheios de frutos.

De cara a seringa perguntou, você me acha completa? Isso me encucou e fez dar aquele relance imediato na mente para que a resposta fosse de agrado e representasse o que de fato eu sentia e assim falei, você é muito solitária, e apresenta medo as pessoas e quando acompanhada de agulha pior ainda, mas você tem uma característica fundamental, ser solidária com os doentes e fonte de atravessamento de medicações que podem sim curar essas doenças , ainda propicia ao ser profissional de saúde um manuseio orientado pois desde quando nascemos já experimentamos suas beldades no teste do pezinho, quando tomamos a vacina dentro do calendário e ou mesmo quando vamos lá no Hemominas doar sangue universal como o meu que é um sangue indígena.

Maravilha ela falou, que perfeita analise você fez, sou sim solitária e tudo o que você falou e fiquei muito feliz com a revelação de que você é indígena, assim nosso papo até muda de direção, conheci muitos indígenas que passaram aqui pela terra e perderam suas vidas por um genocídio sem precedentes, principalmente nas costas brasileira, mas os indígenas do centro do país e dos sertões receberam doses semelhantes desferidas elos tais bandeirantes e colonizadores que queriam amansá-los na marra

Ademais tiveram indígenas que foram contaminados de várias formas, por meio de roupas usadas e contaminadas por missionários evangélicos americanos, por meio de transmissão de doenças típicas do mundo branco ocidental, e agora com o SARS 2 - Covid 19 conhecido também por Coronavírus a coisa se repete e tende a piorar, pois o Presidente da República tem repulsa aos indígenas, quer desterritorializar os mesmos, disse que em seu governo não terá um centímetro de terras demarcadas, acabou com o poder e o papel da Funai, determinou que a Sesai somente vacinasse e atendesse indígenas aldeados e de terras homologadas.

Logo entrei na conversa, então é isso seringa você matou a charada, esse moço deixou até você desacompanhado, não adianta seringa sem vacina, medicamentos, agulhas e uma boa equipe de saúde para fazer o que for necessário para impedir o genocídio, em junho de 2020, o Ministro do Supremo Tribunal Federal - STF o Gilmar Mendes, a qual não sou simpático, já havia verbalizado publicamente que a ação do presidente era uma ação de prática de Genocídio e desta vez ele acertou de cheia, agora o que você seringa acha que podemos fazer? Qual é sua análise e como poderemos caminhar juntos nessa?

Olha seu Indígena, basta pensar nas estratégias, primeiramente não aceitar que os recursos do povo brasileiro sejam utilizados para seletividade, para corrupção e desvios e defender com todas as forças e universalização do ato de vacinar, exigindo do Governo Federal e dos demais entes federados que a aquisição de vacinas suficientes para ofertar aos mais de 207 milhões de brasileiros, em todas as fases do tratamento, assim os indígenas serão contemplados, sem esse negócio de vacinar apenas quem está dormindo nos seus Tekohas, mas todas e a todos, propor a Anistia Internacional que continue fiscalizando esse Presidente e seus apaniguados, exigir que pelos crimes que os mesmos cometem com a população, seja julgado por genocídio e respeite os mais de 220.000 brasileiros, além do que fazem com nossos ancestrais que já morreram para que nossas sementes germinassem e dessem belos e bons frutos e desse chamamos de resistência.

O papo fluindo bem precisava ter um termino que fechasse a proposição, assim ficou definido que seria feita uma campanha de esclarecimentos e de conscientização sobre a importância de vacinar, não dá mais para vermos as seringas sendo apenas material de compras licitatórias superfaturadas, queremos ver a mesma feliz e atuando em conjunto para proteger vidas, curar pessoas e propiciar um mundo sem aqueles que continuam disparando Fake News por onde passam, o gabinete do ódio precisa ser desmontado, desmascarado, pois Lula já tem provado o contrário de suas denuncias em que o aliado palaciano Moro orquestrou até ser desmoralizado pelo ocupante do Palácio.

Levar as denuncias a Anistia Internacional, a OIT e a ONU, exigindo seriedade de promotores do MPF que fazem vista grossa sem apurar realmente que esse presidente cometeu e comete crime de responsabilidade, exigir apoio para instalação de Barreiras Sanitárias feitas pelos próprios indígenas, sem atravessadores como esse bando de militares que tem outros papéis e não os exerce, por fim não há saúde sem terra portanto DEMARCAÇÃO JÁ – NÃO AO MARCO TEMPORAL, VACINAR A TODOS DE FORMA IGUAL.


(Conto fictício para assemelhar a vida real)

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